PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) é um questionário de nove perguntas usado para rastrear e medir a intensidade de sintomas depressivos nas últimas duas semanas. A soma vai de 0 a 27 pontos e indica a gravidade dos sintomas, não o diagnóstico: ele aponta quem precisa de avaliação clínica, sem substituí-la.
Como o PHQ-9 funciona
As nove perguntas cobrem os sintomas que os manuais diagnósticos usam para depressão: desânimo, perda de interesse, sono, energia, apetite, concentração, lentidão ou agitação, autoimagem e pensamentos sobre morte. Cada uma é respondida em quatro frequências — nenhum dia, alguns dias, mais da metade dos dias, quase todos os dias — valendo de 0 a 3 pontos.
A escala foi validada por Kroenke, Spitzer e Williams em 2001, para uso na atenção primária, e tem validação brasileira própria, feita por Santos e colaboradores em 2013 com adultos da população geral. Isso importa: escala traduzida sem validação local não garante os mesmos pontos de corte.
As faixas de pontuação
- 0 a 4: sintomas mínimos.
- 5 a 9: leve — acompanhar e repetir depois.
- 10 a 14: moderado — conversar com um profissional.
- 15 a 19: moderadamente grave — procurar avaliação.
- 20 a 27: grave — procurar avaliação sem adiar.
O marco prático é o 10: a partir dali a recomendação deixa de ser acompanhar e passa a ser buscar avaliação. A faixa importa mais que o ponto exato — entre 14 e 15 não há diferença clínica real.
A nona pergunta
O último item pergunta sobre pensamentos de morte ou de se machucar. Ele soma pontos como os outros, mas não funciona como os outros: qualquer resposta diferente de "nenhum dia" pede atenção imediata, mesmo que o total fique numa faixa baixa. Nesse caso, o CVV atende pelo 188, de graça e 24 horas por dia.
O que o PHQ-9 não enxerga
Ele mede a frequência dos sintomas, não a causa. Luto recente, esgotamento no trabalho e até alterações da tireoide produzem pontuação parecida com a de um episódio depressivo, e a escala não distingue. Pontuação alta também não diz se o quadro é depressão unipolar ou a fase depressiva de um transtorno bipolar — distinção que muda o tratamento inteiro.
Há ainda o limite de público: a versão original vale para adultos. Para adolescentes existe o PHQ-A, que pede aplicação profissional.
PHQ-2
Versão curta com as duas primeiras perguntas apenas, usada quando o tempo é curto. Se o PHQ-2 der positivo, aplica-se o PHQ-9 completo.
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Fontes e referências
- KROENKE, K.; SPITZER, R. L.; WILLIAMS, J. B. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, v. 16, n. 9, p. 606-613, 2001. PMID 11556941.
- SANTOS, I. S.; TAVARES, B. F.; MUNHOZ, T. N. et al. Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, v. 29, n. 8, p. 1533-1543, 2013. PMID 24005919.
- Centro de Valorização da Vida (CVV). Apoio emocional gratuito, 24 horas, pelo telefone 188. https://cvv.org.br
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um médico ou psicólogo.